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O nosso caldeirão de emoções

22 de agosto de 2014
Tempo de leitura: 2 minutos

Gabriela Caseff

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“Ninguém no hospital espera a visita de um palhaço, ninguém está lá para isso. Uma pessoa hospitalizada está distanciada de seu cotidiano e de tudo que a cerca – objetos, cheiros, hábitos, bichos de estimação, familiares. Intimidade, identidade, controle sobre a vida, quase tudo vai pro espaço.”

A frase é de Soraya Saide, atriz e palhaça que ajuda a conduzir a nossa Escola, para o livro Boca Larga. Ela ilustra o sentimento que muitas crianças vivenciam quando estão internadas ou passam um longo período hospitalizadas. A birncadeira fica de lado e exames, avaliações, injeções e conversas sérias tomam seu cotidiano.

Dependendo do tempo de internação, as visitas se tornam raras e os acompanhantes, cansados e preocupados com a situação, não têm paciência – ou cabeça – para dar a atenção devida à criança.

Lugar de urgências, emergências, contingências, o hospital quase que exige que a imaginação seja deixada de lado. Os profissionais precisam dar conta da demanda como podem; as pessoas, fragilizadas e desacreditadas do sistema de saúde público, exigem esforços da equipe. Apesar de parecer um ambiente frio e sisudo, o hospital é um caldeirão de emoções.

E daí surge o palhaço, montado no semblante de médico besteirologista, e ocupa espaços absolutamente esquecidos: o espaço do erro, o espaço do humanidade, o espaço da imaginação, o espaço da dúvida. Ele desperta na criança o desejo genuíno de brincar, sempre apoiado na sua permissão para seguir adiante. Sim, é ela quem decide!

Apesar de comprovarmos empiricamente ali, no dia a dia de trabalho, descobrimos por meio de pesquisas que as intervenções artísticas regulares dos palhaços tem influência na relação das crianças com o próprio tratamento. O resultado da pesquisa abaixo foi feito pela psicóloga hospitalar Morgana Masetti, em consultoria para a associação Doutores da Alegria, em parceria com o Instituto Fonte.

Pesquisa Instituto Fonte | 2008

Brincar e sair das nossas zonas de conforto – de atitude e de pensamento! – modificam não só o nosso comportamento como também todo o ambiente. Não é preciso ser sisudo pra ser sério, não é mesmo?

Durante as intervenções, acompanhantes, médicos, enfermeiros, seguranças também entram no jogo. Esses encontros dão potência para seguir o dia com mais leveza, com mais alegria, e provam que apesar da situação, é preciso encontrar o lado saudável da vida, o lado que nos conecta com o outro, que nos potencializa para fazer melhores escolhas.

E essas escolhas podem ser um sorriso, uma escuta mais presente, uma decisão em conjunto.



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