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Quem espera até cansa, mas alcança

5 de Abril de 2019
Tempo de leitura: 1 minutos

Doutores da Alegria

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Na primeira vez que vimos o Tomas*, na UTI, achei que não daria bola pra gente. Com seus 11 anos, estava junto de crianças bem menores do que ele. Tomas nos fitava de longe enquanto falávamos com a equipe multidisciplinar do setor.

Micolino foi o primeiro a falar com ele, e eu e Wago nos aproximamos em seguida. Desenrolamos uma conversa rápida e, para minha surpresa, conseguimos uma risadinha do menino.

Na semana seguinte, Tomas já estava na enfermaria e a expectativa era de receber alta nos próximos dias. Naquela ocasião, a gente ainda não sabia disso, e tivemos alguns encontros com ele até o dia de sua partida. Ele se divertia, participava, corria atrás da gente, a gente o colocava pra correr e coisa e tal.

Em um dos plantões, quando íamos pegar o elevador do terceiro andar para ir ao refeitório almoçar (pasmem, besteirologistas também se alimentam!), demos de cara com Tomas passando.

– A gente já volta para falar com você!

– Tá, vou ficar esperando.

Descemos. Almoçamos. E já que estávamos lá por baixo do hospital, já aproveitamos pra passar a visita pelo ambulatório e pela emergência. E, enfim, subimos para o terceiro andar. A porta do elevador abriu e lá estava Tomas. No mesmo lugar! Sentadinho, esperando a gente. Como pode?

Quando nos viu, o menino arregalou os olhos e disse bem alto:

– Até que enfim vocês chegaram!

Ele se levantou e pediu que esperássemos um pouco pra ele ir buscar suas coisas. Foi, voltou com a sua mãe e nos abraçou. Pronto, agora estava de alta. A gente não acreditou que ele tinha passado aquele tempo todo nos esperando. Ficamos muito emocionados. Parece que a consideração, a cumplicidade e a amizade que construímos com Tomas se traduziram ali naquela espera.

Juliana de Almeida, mais conhecida como Dra. Baju, e Wagner Montenegro (Dr. Wago Ninguém), escrevem do Hospital Barão de Lucena, em Recife.

* o nome da criança foi alterado para preservar sua identidade



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