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Mãe, ele travou?

26 de janeiro de 2022
Tempo de leitura: 3 minutos

Doutores da Alegria

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O atendimento presencial dos Doutores da Alegria nos hospitais foi retomado com Dra. Tutty Bolot’s (Suzana Aragão), no dia 7 de julho de 2021. A artista completou o ciclo de vacinação antes do restante do elenco graças a uma pesquisa no Hospital das Clínicas.

Foi aí que começou o nosso modelo híbrido: um palhaço trabalhando presencialmente no hospital, carregando o parceiro no tablet, ainda em home office.

Dr. Zequim Bonito (Nereu Afonso), que fazia dupla com Dra. Bolot’s no Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (Itaci), escreveu no mês de agosto de 2021 sobre essa experiência do modelo híbrido e os “recursos espertinhos” da tecnologia.

Confere só!

 

Dra. Bolot´s levava Dr. Zequim Bonito no tablet

 

O radinho de pilha

Galera,

Na crônica do mês passado, já demos aquele salve para avisar que voltamos a atuar presencialmente no Itaci, certo? Voltamos, vírgula! Quem voltou, na real, foi a Dra. Bolot’s (Suzana Aragão). Eu ainda estou dentro do tablet e só saio daqui depois da segunda dose da minha vacina.

Enquanto isso, a gente vai assim, de dupla mista: uma palhaça ao vivo e outro no tablet. E, a cada quarto, a cada criança, a gente vai sacando o que essa atuação híbrida proporciona.

Dra. Bolot’s, de dentro do Itaci, me carrega. Ela, no mundo presencial, vendo as coisas em 3D, em 360º, ao vivo e em cores. E eu, aqui de casa, vendo o mundo do hospital recortado e atochado neste retângulo chamado tela. Me sinto num radinho de pilha, mas não reclamo.

Vivo colado na Bolot’s e ela em mim. As crianças se ligam no nosso afeto e riem dos nossos tropeços. Porque, olha só, nunca vi comunicação on-line que não desse uma bugada. Volta e meia a gente trava (a travada é tipo um tropeço digital, né?) e aí começa: será que ele travou? Ih, ele travou, gente! E toca balançar o tablet para ver se eu volto. Agora para de balançar, Bolot’s, que eu já voltei… e tô bem tonto.

Mas a travada pode ser um trunfo. Você pode fingir que travou sem ter travado. Saca só: quando Melissa, de 8 anos, fica com raiva da sua piada infame, você finge que trava. Paga uma de zonzo e faz que não é contigo. “Mãe, ele não travou, né? Ele tá fingindo, não tá?”. E você congela mais ainda. “Mãe, ele mexeu o olho”. E você prende a respiração. “Mãe, ele tá fingindo, ele mexeu o cabelo e acha que engana a gente! Palhaço, como é que cê travou se cê tá se mexendo?”. Eu não tô me mexendo, eu tô travado. Aliás, nem falando eu tô. Sei. E tu sai do quarto se vangloriando por ter se vingado da tecnologia. Usou a travada a seu favor.

Mas aí tem o delay, o maldito delay. Se liguem na situação: Bolot’s cruza com a mãe da Isabelly no corredor. Bolot’s te apresenta para ela. Você vê mais ou menos quem é, porque a conexão tá oscilando pacas. Mas você é educado e cumprimenta a pessoa, sem falar o nome dela porque travou justo quando ela se apresentou. E ela te fala “como é que tão as coisas aí?”. E você tagarela um pouco, também pergunta como ela vai e coisa e tal.

De repente, você vê que a Bolot’s já tá no elevador, sem ninguém ao lado dela. O tal do delay fez todo seu salamaleque chegar mega atrasado e ecoar no vazio. Ninguém ouviu sua boa educação. Quer dizer que, além de ter saído como mal-educado porque não interagiu com a mãe da Isabelly, você passa por pamonha ao falar sozinho quando não tem mais ninguém interagindo. 2 a 1 para a tecnologia! Fora o baile! E Bolot’s ri do outro lado e diz que a mãe da Isabelly riu também. Você nem ousa replicar com medo do delay atrasar sua réplica.

Então, finalmente, um quarto em que a conexão tá bombando de tão boa. Mas você é besta, você resolve dizer para o Lucas, de 10 anos, que você é bom justamente em tecnologia. Francamente! E você destrambelha a falar do jogo que o menino tá jogando, um tal de fri-fairi que você nunca ouviu falar, não sabe pronunciar e muito menos escrever. Mas você não vai passar por zonzo e ficar feio na fita.

Aí você pede ajuda para Bolot’s. Ideia péssima! Ai, se arrependimento salvasse! Mas não salva e agora tá na mão da Bolot’s. E ela confunde o game com uma máquina de fritar batata. Putz – vexame total, no presencial e no on-line – melhor fingir que travou. “Pai, ele não travou, né? Ele tá fingindo, não tá?”. Se nessa hora tivesse um delay para me atrasar, eu até agradecia. Mas não tem. Tamo lá os dois, um no tablet e a outra de carne e osso face a face com o menino gargalhando dos pseudo gamers. Ô dó!

Para terminar, deixo com vocês o lado lírico da tecnologia: Juan pediu para a mãe comprar um tablet que já viesse com a Dra. Pororoca dentro. Pode, gente!? PororocApp.

Inté.

Nereu Afonso (Dr. Zequim Bonito)



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