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A ousadia de realizar um festival durante a pandemia

4 de agosto de 2020
Tempo de leitura: 2 minutos

Ronaldo Aguiar

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O Festival Miolo Mole nasceu antes da pandemia. Nasceu, como grande parte das atividades artísticas no Brasil e mundo, pensado para espaços públicos.

Seria um grande festival ao ar livre, em algum parque da cidade de São Paulo, que tivesse em sua essência os valores da Doutores da Alegria. Com show de palhaços e grandes artistas que trabalham para a infância, além de brincadeiras e espaços de interação com o público.

A pandemia que assolou o mundo transformou esse grande festival ao ar livre na maior live de uma instituição do terceiro setor do Brasil. Um marco histórico em nossa forma de fazer arte.

Desde o início da pandemia, estamos passando por um processo de aprendizagem profundo, dia a dia, para ficarmos mais íntimos dos meios tecnológicos e digitais. Criamos, por exemplo, a série de vídeos Delivery Besteirológico. Criamos as lives quinzenais nas redes sociais.

Mas agora demos um passo maior: com sete horas de programação ao vivo, preservamos a essência de um festival ao ar livre com ações que fazem parte do universo da televisão e das mídias digitais. Uma intersecção entre saúde, educação, cultura e arte, elementos que fazem parte da tarefa institucional da associação.

E, para nossa surpresa, tivemos alcance nacional e internacional. O grupo Alegria Intensiva, da Argentina, assistiu à programação inteira e nos escreveu relatando como gostou da experiência. Também contamos com a audiência de grupos na Europa que enxergam Doutores da Alegria como referência na área.

Nosso objetivo foi o de realizar um festival para todos os tipos de famílias, respeitando todas as existências e formas diferentes do que entendemos como família. Foi também uma bela tentativa de mobilizar recursos para a causa.

O processo de construção foi intenso. Entre inúmeras reuniões, ensaios e conversas com as equipes, o festival se misturou às demandas do fluxo natural da instituição. Os encontros se intensificaram e foram extremamente significativos para a preparação de todas as ações desenvolvidas. Olhar para a instituição como um organismo vivo, em que cada célula, órgãos e músculos são importantes para a construção de um todo… Foi isso que aconteceu. E cada esforço era valorizado e celebrado.

Realizar um festival em plena pandemia foi um passo ousado, mas também é isso que nos faz uma instituição potente e que abraça os desafios que surgem com muita leveza.

O neurologista Fernando Gomes com as besteirologistas Ferrara e Sakura

Ousar faz parte da história da Doutores da Alegria. Afinal, quem imaginaria que em 1991 haveria palhaços atuando em hospitais de uma forma sistemática?

Quando Wellington Nogueira realizou essa façanha houve muito estranhamento, mas, ao mesmo tempo, muita curiosidade sobre onde isso poderia chegar. Hoje, no ano de 2020, o trabalho do palhaço dentro no hospital é consolidado através de inúmeras instituições espalhadas por todos os continentes.

Quando pensamos em um festival totalmente online, estamos seguindo a natureza de uma associação que está aberta ao novo, mas sempre criando e realizando ações de maneira estruturada, planejada e com muita delicadeza.

Que o Festival Miolo Mole possa abrir janelas para o futuro, nos apontando novas maneiras de nos relacionarmos com a sociedade.



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