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Um papo cabeça sobre arte e saúde no hospital

20 de março de 2018
Tempo de leitura: 2 minutos

Gabriela Caseff

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Foi ainda sob os efeitos do calor de 38 graus, em uma rua estreita do Rio de Janeiro, próxima à famosa Escadaria Selarón, que trinta pessoas toparam se encontrar para um bate papo sobre arte e saúde.

Quem conduziu o encontro “Reflexões sobre saúde no mundo contemporâneo” foi a psicóloga hospitalar Morgana Masetti. Há mais de 20 anos pesquisando a arte – especificamente a palhaçaria – no ambiente hospitalar, Morgana trouxe reflexões em torno do entendimento que a sociedade tem sobre doenças contemporâneas, a constante medicalização dos sintomas e o papel da arte inserido na saúde.

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“Hoje, o mal estar social vem sendo tratado como um mal estar individual. Problemas que seriam tratados como coletivos são tratados como pessoais.”, disse. Ela deu o exemplo da situação de violência no Rio de Janeiro, que é um mal estar social gerador de emoções como o medo. O combate muitas vezes se dá no nível individual, com o uso de medicamentos como calmantes.

Esta medicalização de sintomas individuais vem amparada pela catalogação de doenças como as enfermidades do vazio: depressão, insônia, ansiedade. Para cada doença, um bocado de remédios que controlam emoções e desequilíbrios próprios do ser humano. Morgana refletiu ainda sobre as imposições que a sociedade delega ao “eu” como, por exemplo, a obrigatoriedade de se buscar a felicidade e compartilhar isso com seus conhecidos.

Neste sentido, o sintoma pode ser visto como um lugar de resistência, um ponto de interrogação à sociedade terapêutica. A doença e a tristeza, que fazem parte da experiência humana, começam a ser vistas como desnecessárias na humanidade. Elas tentam ser silenciadas. Os sintomas falam alguma coisa da minha ligação com o mundo, e eles precisam ser entendidos, não silenciados.”, explica ela.

Escutar e intervir

A plateia levantou questões como a importância da escuta, principalmente por parte do profissional de saúde. Dio Jaime, palhaço da Cia Sapato Velho, contribuiu: “A escuta é fundamental, porque senão você não escuta a criança que não quer brincar. Você prepara um monte de coisas, músicas, mágicas, e encontra um médico que ganha mal, que perdeu uma criança naquela noite. Você pode piorar o ambiente.”, disse ele.

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Ao focar no trabalho de artistas como os palhaços do Doutores da Alegria, Morgana Masetti reforçou a possibilidade de a arte estabelecer vínculos no hospital. “O artista cria uma linguagem para afetos que pedem passagem, fazendo com que o imaginário possa circular novamente. E isso gera uma mobilidade em relações que já estão estabelecidas. Posso brincar dentro de um hospital, estabelecer outra linha histórica, outra realidade que ajude o paciente a atravessar o que está passando., diz a psicóloga.

O papel do artista no hospital foi outro tema relevante. Caberia à classe artística rever sua intervenção neste ambiente, tendo a clareza de que o trabalho não precisa ter como proposta a busca pela felicidade, uma vez que esta pode ser um gatilho para as enfermidades do vazio.

Eliane Fernandes, da Secretaria Municipal de Saúde, trouxe a perspectiva do gestor hospitalar: “Hoje muitos projetos chegam ao hospital sem objetivo, sem metodologia. Eu valorizo o trabalho com afetos, com memórias; não somente alegria. É preciso uma conduta pra entrar em um hospital”, reforçou.

Após a palestra, os participantes abordaram práticas ligadas à intervenção do Doutores da Alegria. No Rio de Janeiro, a organização atua por meio do projeto Plateias Hospitalares, abrindo espaço para que artistas de rua e de palco possam intervir em hospitais públicos.



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Amauri Gonçalves
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Eu gostaria de saber como posso fazer parte dos doutores da alegria

Adriana
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Adriana
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Já estive acompanhando minha irmã mais nova no hospital e pude ver quão importante é a atuação dos profissionais de arte. Não só no sentido de incentivar mas também na questão de escutar o que as crianças têm para falar. Esse trabalho faz toda a diferença pra elas.

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