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E Doutores da Alegria chegou aos 30 anos…

23 de setembro de 2021
Tempo de leitura: 3 minutos

Doutores da Alegria

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Doutores da Alegria em São Paulo

Doutores da Alegria faz 30 anos. A organização que introduziu o trabalho do palhaço profissional no universo da saúde e produziu conhecimento a partir disso celebra os avanços do acolhimento hospitalar com a arte agora presente em hospitais em todo o país. E levanta a bandeira da cultura como direito fundamental para o equilíbrio de uma sociedade que lida com desigualdades e distensões sociais.

Criada em 1991 pelo ator Wellington Nogueira, a partir de uma experiência pioneira nos Estados Unidos, Doutores da Alegria inaugurou uma tecnologia social que expandiu o campo de atuação de artistas, fortaleceu a humanização na saúde pública e propôs um circuito de artes nos hospitais.

Tudo começou a partir do entendimento da alegria como resultado de encontros potentes, onde o palhaço constrói com a criança uma nova história e, juntos, direcionam o olhar para o lado saudável da vida, em um ambiente adverso como o hospital. 

A leveza desse encontro e o convite para a brincadeira assumem o risco de romper com o esperado e contemplar o imprevisível.

O terreno fértil que originou diversas ONGs nos anos 1990 foi ganhando profissionalização ao longo dos anos, com legislação voltada ao setor, formação de redes e avaliações que comprovaram seu impacto positivo para resgatar a cidadania da população.

Foi nesse celeiro que Doutores da Alegria tomou corpo. Entendeu que o que passa pela porta do hospital é reflexo do que acontece na sociedade.

Assim, apoiada numa visão multidisciplinar, juntando diversas expertises profissionais, além da artística, a organização avançou para outros estados. Investiu em uma escola, assumindo o desafio de transpor a linguagem do palhaço para novos espaços de aprendizagem, desenvolveu criações artísticas e pautou reflexões públicas a partir da experiência vivenciada pela parceria da arte com a saúde pública.

A partir do Programa Nacional de Humanização do Atendimento Hospitalar, Doutores da Alegria foi reconhecida como prática importante que contribuiu para o entendimento de como melhorar o acolhimento de pacientes, em especial nas pediatrias, que até então pouco se diferenciavam das enfermarias de adultos. 

Esse reconhecimento impulsionou tanto gestores hospitalares como indivíduos e grupos em todo o país a pensarem que a linguagem do palhaço poderia ser aliada para enfrentar os desafios do sistema hospitalar.

O dia 28 de setembro, data em que a associação foi fundada, se tornou Dia Estadual dos Doutores da Alegria pelas Assembleias Legislativas de São Paulo e Recife.

Equipe da associação Doutores da Alegria no Recife

Silvia Contar e Wallace Martins trabalham na sede da associação no Rio de Janeiro

Nos últimos anos, alguns movimentos delinearam o terceiro setor. A tecnologia e os novos meios de comunicação exigiram mais transparência e posicionamentos sobre temas em ebulição na sociedade. Por outro lado, a aridez do debate público marginalizou organizações da sociedade civil, assim como o trabalho de quem vive dignamente de arte.

Em 2016, Doutores da Alegria riscou o chão. Formalizou uma nova governança, com eleições para compor a diretoria estatutária e redefiniu sua tarefa institucional, levantando a bandeira da arte e cultura como direito de todos, como mínimo social na cesta básica dos brasileiros.

Por meio de avaliações de impacto social, a associação mediu resultados de seus projetos e concluiu que a presença contínua de artistas profissionais no ambiente hospitalar ainda era de extrema relevância.

A crise sanitária, econômica e política que escancarou as mazelas do país também revelou a potência de associações que agiram para mitigar os impactos da Covid-19 entre as populações mais vulneráveis. Mais de R$ 7 bilhões foram destinados a iniciativas que salvaram pessoas da fome, da doença e da desinformação.

Há três décadas inserida no contexto hospitalar, propondo a arte do palhaço como contraponto à doença, Doutores da Alegria tomou a difícil decisão de se afastar, pela primeira vez em 28 anos, de profissionais de saúde e pacientes como maneira de mitigar o vírus dentro do SUS.

À distância, desenvolveu conteúdos diversos, incluindo um festival ao vivo de sete horas, e fez visitas virtuais, por meio de tablets, a crianças e adultos hospitalizados. De maneira generosa e cuidadosa, manteve sua equipe unida e preservada em momento de escassez de recursos na área artística.

Com a imunização completa de seus artistas, que em 2021 começam a retomar as visitas presenciais, Doutores da Alegria prepara uma comemoração para seus 30 anos.

O Conta Causos online marcou o início da festa, com palhaços narrando ao vivo histórias significativas dessa trajetória. Um documentário revela os bastidores da organização durante a pandemia. Um podcast de três episódios traz uma conversa sobre a palhaçaria para curiosos. Um livro conta o processo institucional de mudança de governança. 

E a segunda edição do Festival Miolo Mole, agora elevando a discussão da arte como direito fundamental, encerra as comemorações e dá as boas-vindas ao novo ciclo, com os velhos e grandes novos desafios colocados à sociedade brasileira. 

É como a gente sempre diz: as nossas mais sinceras narigadas. 

Aos mestres palhaços que vieram antes de nós, ao visionário Wellington Nogueira, ao Michael Christensen, a todos os profissionais que passaram pela organização, às crianças e profissionais de saúde que dão o tom deste ofício, às empresas e pessoas que abraçaram a causa, ao público que sempre marca presença e a todos aqueles que insistem na arte como semeadora de pequenas e grandes descobertas. 

Obrigada. E viva os 30 anos de Doutores da Alegria!​



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