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Como foi o 5º Encontro Nacional de Palhaços que Atuam em Hospital

26 de novembro de 2018
Tempo de leitura: 5 minutos

Doutores da Alegria

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A cada dois anos, grupos que atuam com a linguagem do palhaço no Brasil inteiro se unem para trocar experiências, ideias, causos e receber orientações. Nesta quinta edição do Encontro Nacional de Palhaços que Atuam em Hospital (Encontrão), o objetivo foi além: debater e descentralizar a rede.

Criado em 2007 por Doutores da Alegria, o programa Palhaços em Rede reúne informações sobre os mais de 1.000 grupos distribuídos por todo o país, além de oferecer orientação e formação tendo em mente a qualidade do que é oferecido a crianças em adultos em hospitais. O Encontrão é uma das iniciativas do programa.

O evento começou com Wellington Nogueira, nosso fundador, apresentando um breve histórico, evocando os bobos da corte e Michael Christensen, o ator americano que inseriu o palhaço de forma profissional em alas pediátricas de hospitais de Nova York.

Todas as fotos são de André Stefano.

Raul Figueiredo, tutor do Palhaços em Rede, trouxe uma linha do tempo do programa, convidando os grupos a se posicionarem nesta trajetória.

As diretoras Daiane Carina (Relações Institucionais) e Thais Ferrara (Formação) resgataram os aprendizados de conferências internacionais – Clown Summit (Brasil) e Healthcare Clowning International Meeting (Israel, Portugal e Viena) – dando destaque para os principais assuntos abordados nos eventos: formação, pesquisa e sustentabilidade.

“O Brasil é um caso à parte, não só por conta da extensão do país, comparado aos países europeus, mas também por ainda precisar lutar pela ideia da arte na cesta básica da população.” Daiane Carina, diretora de Relações Institucionais

Dez anos após a concepção do Palhaços em Rede, Doutores da Alegria entendeu que estava na hora de descentralizar a rede, de criar um movimento orgânico e participativo que pudesse representar toda a heterogeneidade das ONGs, grupos e indivíduos que atuam em espaços de saúde e de criar caminhos de futuro para que o impacto de nossas ações esteja à altura das novas demandas da saúde contemporânea.

“Com a nova governança, revisitamos todos os projetos do Doutores da Alegria à luz na nova tarefa institucional, que está embasada em dois critérios fundamentais: elevar a arte como direito social e priorizar a atuação com pessoas em situação de risco e vulnerabilidade social.”, afirmou Daiane.

Em julho deste ano, a partir de critérios definidos pela Escola dos Doutores da Alegria, convidamos grupos de diversas regiões do Brasil minimamente estruturados e que atuavam há algum tempo para iniciar a discussão sobre a nova rede.

O “encontrinho” aconteceu em nossa sede, em São Paulo, com mediação dos facilitadores Rogério Silva e Achala Andréa, da Pacto. Vinte e seis pessoas de treze grupos que atuam em 13 cidades e 6 estados aceitaram o chamado:

Super Palhaços (Sorocaba/SP)
Esquadrão da Alegria (Santa Maria e Porto Alegre/RS)
SOS Só Risos (Santos/SP)
Cirurgiões da Alegria (Limeira/SP)
Gema da Alegria (RJ/RJ)
Trupe da Saúde (Curitiba/PR)
Doses da Alegria (Florianópolis/SC)
Drs. Palhaços SOS (Ponta Grossa/PR)
Nariz Solidário (Curitiba/PR)
Operação do Riso (São Caetano/SP)
SOS Alegria (Londrina/PR)
Instituto Hahaha (Belo Horizonte/BH)

O mediador Rogério Silva, estudioso de alianças e redes, subiu ao palco para contar um pouco sobre o processo, que começou com o resgate da história desde Michael Christensen.

“Entendi o peso que Doutores da Alegria carregava por precisar assegurar os princípios do Michael; eles foram e são guardiões de um conjunto de valores. Foi bonito e fundamental, mas lhes custou bastante.”, iniciou ele.

“Talvez hoje esse papel de cuidar dos valores, dos princípios e das práticas não caiba mais somente ao Doutores da Alegria, caiba a todos vocês.” Rogério Silva, Pacto

O papo seguiu com a apresentação do ecossistema em que a rede está inserida, que inclui os 1.300 grupos, o SUS, o governo, os palhaços, os públicos em situação de vulnerabilidade, a imprensa, entre outros.

Rogério destacou os princípios que norteiam uma rede, como a interdependência, o respeito às diferenças, a ética que nos mantêm juntos e nos permite avançar em temas de interesse comum, as forças que se alteram permanentemente e a colaboração. E falou sobre as leis sistêmicas: pertencimento, hierarquia e equilíbrio.

“Isso significa que todos fazem parte, que alguém veio primeiro e merece reconhecimento e que é preciso dar e receber na mesma intensidade.”, finalizou ele.

Daiane Carina convidou os grupos do Encontrinho para apresentar os consensos e princípios que foram discutidos anteriormente:

Fortalecer: práticas, conceitos, grupos, indivíduos e a rede
Compartilhar: saberes, oportunidades, pedidos de ajuda, recursos
Fomentar: discussões técnicas e políticas, colaboração, formação e incidência
Responsabilizar: indivíduos e grupos dos quais a rede depende para existir
Dialogar: com os demais atores do ecossistema no qual a rede está inserida

Entre os propósitos e temas da rede estariam a construção de posicionamentos a favor da saúde pública e das práticas sensíveis de saúde a partir da linguagem do palhaço e o incentivo às trocas e saberes entre membros.

A tarde seguiu com a formação de grupos de discussão em torno da pergunta: o que eu venho buscar e o que eu tenho a oferecer para esta rede?

Entre as respostas estão o apoio institucional (troca de experiências sobre procedimentos internos, modelo organizacional, gestão e captação de recursos), a formação e/ou profissionalização, um núcleo de pesquisas com conhecimentos regionais, a sistematização de recomendações sobre o trabalho e um banco de dados com todos os membros.

O segundo dia do Encontro Nacional contou com a apresentação de Lino de Macedo, pedagogo e psicólogo que atua no Instituto de Pesquisa do Hospital Infantil Sabará. Lino trouxe definições sobre rede e aprofundou, de maneira lúdica e prazerosa, os conceitos apresentados no dia anterior.

Lino partiu de um proverbio chinês: “Não basta sair com a intenção de pescar peixes; é preciso levar também a rede”, referindo-se à necessidade de preparação, planejamento e propósitos claros. Acrescentou que a rede é um lugar de vínculo e conexão e que pressupõe acordos; há que aprender a ser parte e ser todo. Há que aprender a importar-se e não, ser importante.

Com relação ao jogo, ressaltou a importância das regras pra se chegar ao encontro. E ainda lançou uma luz sobre as palavras lúdico e lúcido. Terminou com a música Grão, de Gilberto Gil: “Morre nasce trigo, trigo morre pão”, acrescentando: “pão que nasce alimento, energia”.

Ao final, os participantes foram convidados a discutir, em grupos de trabalho, os temas que devem fundamentar a rede: comunicação, formação, governança e sustentabilidade.

A tarde do sábado seguiu com as apresentações das propostas, ainda em elaboração e aperfeiçoamento, dos Grupos de Trabalho criados durante o “encontrinho”: Governança,  Sustentabilidade, Formação e Comunicação. Os participantes tiveram a oportunidade de opinar e aprofundar os temas apresentados.

No último dia do Encontrão, os grupos compartilharam com Doutores da Alegria suas impressões sobre o evento e sobre o futuro da rede. Entre os próximos passos ficou acertado que os grupos de trabalho seguirão atuantes e que haverá uma recomposição do cadastro na rede para os interessados, a partir de uma plataforma virtual.

A artista plástica Ana Tatit foi responsável pelo encerramento do evento, com uma atividade lúdica coletiva que valorizou a descentralização, a cooperação e a participação efetiva e autoral. Os princípios norteadores de uma rede foram novamente relembrados: o pertencimento, a hierarquia e o equilíbrio.

Obrigado a todas as 140 pessoas de 53 grupos de vieram de 9 estados brasileiros e ajudaram a idealizar e a construir esta nova rede!


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