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Besteirologista por um dia

28 de Março de 2019
Tempo de leitura: 2 minutos

Doutores da Alegria

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Conhecemos o menino no corredor do Hospital do Mandaqui. Eufórico, veio correndo pedindo para eu tocar uma música no cavaquinho.

A cantoria começou. Virou dança, rebolado e então demos o diagnóstico: o pequeno estava com a cintura solta. O bom é que cintura solta deixa a gente alegre, comunicativo e feliz. Seguimos caminhando e ele foi junto, requebrando e cantando. Foi quando seu pai apareceu para dar a boa notícia:

– Vem, filho, você acabou de receber alta médica e nós vamos embora!

Mas aquela não era a melhor notícia para o menino. Ele queria mesmo era continuar dançando. Fez cara de tristeza e pediu pro pai esperar um pouquinho mais. O pai concordou e disse que enquanto arrumava as malas, ele poderia estar conosco, e assim seguimos pelo hospital, Dr. Cavaco, Dr. Chabilson e o pequeno dançarino, de quarto em quarto.

A euforia era tanta que ele começou a mexer em nossos bolsos, pegar objetos e a mandar na gente. Até parecia um pequeno chefe! E as ordens eram tantas que começaram a dificultar o atendimento às outras crianças. Como ele queria ajudar, fui fazendo pedidos:

– Pode, por favor, ficar de segurança na porta desse quarto?

– Pode segurar essa parede?

Mas ele não se aguentava e logo voltava pra ficar bem pertinho de nós e seguir na brincadeira. Até que pegou meu cavaquinho. Expliquei que era meu instrumento de besteirologista e que havia ainda outras crianças a serem atendidas. Resolvi pedir para a criança ir até o quarto ajudar o pai a fazer as malas. Ele não gostou muito da ideia, mas foi.

Conseguimos seguir com os atendimentos quando, de repente, no meio de um samba, começamos a ouvir um som de um instrumento diferente… Olhamos para a porta do quarto e era o pequeno de nariz de palhaço, com um vidro de xarope na mão e uma seringa na outra, tocando como se fosse um tamborim.

Caímos na gargalhada. O menino conseguiu a vaga de besteirologista por um dia!

Um pouco depois, seu pai veio chamar para ir embora. Chorando, ele se despediu de nós e do hospital. Muitas vezes não é o local em que estamos que influencia em nossa alegria, mas como estamos. O pequeno recebeu a notícia que na maioria as vezes é a mais esperada dentro de um hospital: ter alta.

Mas para ele, aquilo não era o mais importante no momento. Queria continuar ali, brincando e tocando. Queria se divertir. Não queria ir embora. Será possível estarmos alegres independentemente do local em que estamos?

Dr. Cavaco, mais conhecido como Anderson Machado, escreve do Hospital do Mandaqui, em São Paulo.



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Sensacional SAÚDE E PAZ FORTE ABRAÇO

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