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Uma receita pra formigamento

17 de janeiro de 2019
Tempo de leitura: 2 minutos

Sueli Andrade

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Depois de enfrentar algumas cirurgias, a menina, internada no Hospital do Mandaqui, ainda tinha medo de colocar os pés no chão. Gritava, esperneava e até já tinha até agredido a fisioterapeuta que a atendia. Foi aí que a profissional pediu a nossa ajuda, uma vez que tínhamos bons encontros com a criança.

Segundo ela, o caso era grave e a menina poderia até perder a perna se não desse alguns passos diários. Fizemos alguns combinados, uma vez que não é nossa prática interceder nestes casos, e partimos para o atendimento.

A fisioterapeuta entrou e, algum tempo depois, eu e Dr. Pinheiro entramos e seguimos primeiro para o leito de um garotinho. Ao lado, a fisio, agachada, segurava o andador que amparava a criança, e não demorou nada para todos no quarto serem surpreendidos com gritos histéricos.

– Para! Meu pé está formigando! Quero voltar pra cama! Sai!

A súplica foi geral: a mãe da criança, a mãe do garotinho, a moça da limpeza e a fisio pediam que ela acalmasse e desse um passo. Um caos. Foi aí que, com o cérebro a mil, pensando no que fazer, me coloquei no meio do quarto.

– Para tudo! Todo mundo para tudo agora!

O silêncio imperou. Os olhares voltaram para mim e pedi que todos se afastassem.

– Vocês não ouviram o que ela disse? O pé dela está formigando! For-mi-gan-do! Isso é sinal de que está cheio de formigas aqui. Não é mesmo, M.?
– É.

Todos relaxaram. A mãe do garotinho começou a rir e puxou a risada dos outros. Pedi que a moça da limpeza, que entrou no jogo, limpasse o chão com mais firmeza. E ainda ofereci uma receita besteirológica: tirei do bolso um tubinho de bolhas de sabão e comecei a soprar nos pés da menina.

– M., vou colocar o remédio. Você dá uns passinhos e diz se as formigas foram embora, tá bom?
– Tá bom.

A menina deu dois passinhos e tornou a dizer que estava formigando. Coloquei mais bolhas e ela deu mais uns passinhos. Coloquei de novo, mais uns passinhos. Nesse meio tempo, parei para dizer à mãe do leito ao lado sobre como era bom aquele remédio e, quando vimos, a criança estava na porta do quarto indo em direção ao corredor.

– Ei, você saiu correndo e me deixou aqui sozinha, que negócio é esse? Volte aqui!

A garota começou a rir e, com a ajuda da fisio, retornou ao seu leito. Vinte passos foram dados. Foi uma alegria geral no quarto!

Saímos e fomos aplaudidos pelos profissionais que nos observavam de fora. Missão cumprida. Já eu estava suando em bicas, mas plena pela certeza de que trabalhar no hospital traz experiências fantásticas. Obrigada a toda a equipe do Mandaqui pela confiança que depositam em nosso trabalho.



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Parabéns pela iniciativa, esse trabalho faz tanta diferença na vida daqueles que muitas vezes perderam a esperança devido a situação em que se encontram, crianças acamadas e com medo, ai chegam esses verdadeiros DOUTORES DA ALEGRIA, e conseguem dar um novo ânimo a esses pacientes. Ganhe Trabalhando com a Internet

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