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Por que tanta gente quer ser Doutor da Alegria no começo do ano?

11 de Janeiro de 2019
Tempo de leitura: 4 minutos

Gabriela Caseff

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Entra ano, sai ano, nossas caixas de mensagem lotam com as perguntas “Como eu faço pra ser um Doutor da Alegria?”, “Como ser voluntário?”, “Que curso eu faço pra ser palhaço?”, entre outras variações. Atire a primeira pedra se você não chegou a este texto motivado por estas respostas.

 

Daí que a gente começou a se questionar: por que tanta gente quer ser palhaço no começo do ano? Faz parte de alguma resolução de ano novo? É promessa?

A investigação nos levou a algumas hipóteses. Responda você mesmo, se puder, aqui nos comentários e nos ajude a comprovar (ou não!) essas hipóteses. E, calma, calma! Eu prometo que vou responder a estas perguntas todas também. Vamos lá:

Hipótese 1: Você quer começar o ano fazendo algo positivo

Fazer um trabalho voluntário aparece ao lado de outras metas consideradas positivas na listinha de começo de ano. Alimentar-se melhor, fazer um curso, guardar dinheiro, viajar e… Ser voluntário! Em nossa cultura, também é visto como algo “do bem”, como um propósito, que é algo que vem sendo muito difundido e valorizado nos últimos anos. Pelo bem da humanidade!

A parte ruim da listinha é que muitas pessoas começam uma ação no hospital e, pouco tempo depois, a abandonam (assim como as dietas, né?). Um trabalho voluntário minimamente qualificado requer comprometimento, dedicação e treino. Muitos grupos reclamam pra gente que seus voluntários somem, não comparecem aos treinos e discussões e que, por conta disso, não conseguem fazer um trabalho permanente junto aos hospitais. Ir só pra tirar selfie não vale, né?

E aqui um lembrete: Doutores da Alegria não atua com voluntários. A gente escolheu trabalhar somente com artistas profissionais, remunerados, que visitam hospitais duas vezes por semana, treinam, ensaiam espetáculos, dão aulas, plantam bananeiras entre outras atividades dentro dos projetos. A gente enxerga como uma escolha profissional e de vida – o palco desses artistas é, em grande parte do tempo, o hospital.

Hipótese 2: Você passou por uma experiência recente impactante (uma doença, o nascimento de um filho, o falecimento de alguém querido) e quer fazer algo com o sentimento que ficou

Transformar um vazio, uma saudade ou alegria em uma ação concreta é algo que aproxima gente do palhaço. Como se fazer uma visita a alguém hospitalizado fosse uma forma de retribuir ou de compensar algo pelo qual você passou.

Talvez você tenha passado por um apuro grande com um parente hospitalizado ou tenha uma grande afeição por crianças depois que seu filho nasceu. Então você pensa que poderia oferecer seu tempo para pessoas que estão num momento difícil.

A gente entende essa escolha e sabe bem da potência dos afetos – inclusive, esses afetos alimentam o palhaço! O que também acontece é que, com o passar do tempo, a potência diminui e você descobre que já lidou com esses sentimentos de outra forma. A nossa sugestão é estudar a linguagem do palhaço, para que ela te fortaleça e seja o empurrãozinho para continuar o trabalho.

 

Hipótese 3: Você é estudante de áreas da saúde e quer experimentar o hospital a partir do nariz de palhaço

Os últimos anos da faculdade vem chegando e você ainda não sabe como conversar com um paciente. Ou como descobrir o que ele tem sem ser indelicado. Eis a máscara do palhaço, que te oferece uma permissão e uma empatia quase instantâneas!

Muitos jovens estudantes desejam saber como é estar em um hospital e se relacionar com as pessoas ali, mas querem a proteção do nariz vermelho. Daí que a linguagem do palhaço vira um meio, e não um fim, para obter o que querem. Também tem quem conheça um hospital no interior sem nenhuma ação de humanização – e isso é uma falha, segundo as aulas teóricas na faculdade. A gente entende.

E se você é um daqueles que acha que os Doutores da Alegria são médicos, você não está sozinho. Mas a verdade é que nossos atores e atrizes apenas se inspiram na figura médica e fazem uma paródia para criar a figura do besteirologista. Bem, nossa dica é procurar uma liga ou projeto de extensão da faculdade (muitas já tem) e tirar suas dúvidas.

Hipótese 4: Sua igreja está precisando de voluntários em hospitais

Algumas igrejas se dedicam a prestar assistência religiosa e social através da capelania em hospitais. Apesar de a ação ser praticada sem a necessidade da linguagem do palhaço, muita gente acredita que ela favorece a evangelização, justamente pela empatia que a máscara traz.

Definitivamente esta não é a nossa intenção e acreditamos que os princípios do palhaço não devem se prestar à prática religiosa. Maaaaas tá aí o livre arbítrio pra dizer que você faz o que julgar melhor, tá bom?

Hipótese 5: Alguém disse que você é engraçado

Ah, acontece, vai! Você é daqueles que fazem todo mundo rir? Improvisa muito bem? Ou é só o tiozão do #pavêoupácumê?

Se você tiver uma veia cômica aguçada, tá na hora de buscar um curso que aprimore seu talento.
Aqui no Doutores, nossos palhaços têm formação em Artes Cênicas e, especificamente, na linguagem do palhaço. Dá uma olhada aqui pra ver cursos profissionalizantes que eles fizeram. A gente também tem uma Escola com cursos para quem já tem um pé na arte. Quem sabe essa seja a sua profissão?

Pra entrar no elenco, é como em qualquer outro processo seletivo. Abre de vez em quando (quando precisamos) e tem etapas como envio de currículo e oficinas.

E aí, faltou alguma hipótese? Se ser um Doutor da Alegria estiver em suas resoluções de começo de ano, procure pensar o motivo. Se você realmente quer se dedicar a isso, há muitos grupos que fazem um trabalho semelhante ao nosso e que recrutam voluntários. Dá uma olhada aqui no Palhaços em Rede.

Ah, e enquanto esse texto foi escrito, chegaram 3 e-mails, 14 mensagens na página do Facebook, 6 directs no nosso Instagram e 2 ligações. Alguém aí se voluntaria a responder toda essa gente?



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Delcia Pinatti
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Amo trabalho de vcs e tudo q vcs fazem tô lá p aplaudir, enfim sou agente de saúde e com algumas senhoras do grupo de caminhada tive a idéia pq não fazer algo parecido aqui, fazendo visita na casa dos acamados e idosos solitários, consegui ajuda destas senhoras q queriam se ocupar e hoje somos as alegretes do grupo alegria q contagia, levando alegria a quem quiser nós receber , fizemos dois meses de treinamento e começamos no dia do meu aniversário visitando a UBS q trabalho, fizemos poucas ações mas p 2019 queremos fazer muito mais, valeu pelo incentivo… Leia mais »

Poliana Acioly
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Poliana Acioly
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Eu não sou engraçada, nem passei por uma experiência difícil nesse ano ou frequentou igreja. Mais sempre tive vontade de por fazer o bem pra muitas gente não só em hospitais ou em um lá de idosos mais olha pra todos aquelas pessoas que precisa de um sorriso um abraço amigo um Conselho, sabe sou pessoa simples não fasso parte de nemhum grupo que fazem esse tipo de trabalho beneficiente mas sempre tive vontade porque fazer o bem faz bem para a gente também que se o mundo fosse cheio de pessoas assim que nem vocês e outras tantas que… Leia mais »

Ana Carolina Rafael de Paiva
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Ana Carolina Rafael de Paiva
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Sinceramente vejo isso de uma forma muito positiva. Se existem muitas pessoas querendo um trabalho que faça bem ao próximo mostra que o ser humano está tentando ser melhor. Agora se iniciam um trabalho como o de vcs e não continuam é pq talvez não se adaptaram e vão continuar a procura até que se sintam a vontade em um trabalho assistencial, seja ele qual for. Tenho como exemplo eu, faço um trabalho assistência com crianças carentes a cerca de 20 ano, acho q estou a tempo demais neste msm local, acho q devo dar espaço para outras e acho… Leia mais »

Adriana
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Adriana
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Eu quero ser voluntária, não sei se sou palhaça, mas quero compartilhar sorrisos, levar alegria e tenho.muita vontade de ver sorriso e pessoaa felizes🤣😍😘🤡

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