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Nossos encontros com a garotinha são uma montanha-russa

7 de junho de 2019
Tempo de leitura: 2 minutos

Henrique Rímoli

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Montanha-russa é um brinquedo de parques de diversão. Mas segundo o dicionário, também pode ser “aquilo que passa por várias mudanças bruscas ou extremas durante um curto período de tempo, fazendo lembrar essa diversão”.

Essa palavra define muito bem a nossa relação com a Lala.

Um olhar rápido de Lala é o que nos recebia em seu quarto, no Instituto de Tratamento do Câncer Infantil, em São Paulo. Os olhos vinham e depois baixam para a tela do celular. Falava pouco e só mexia a cabeça dizendo “sim” ou “não”.

Um dia entramos em seu quarto e – não lembro como exatamente – surgiu o assunto de princesas. Dra. Nina Rosa, minha colega besteirologista, disse que amava a Frozen. Bingo! Recebemos um sorriso e a mãe de Lala foi correndo pro armário, de onde tirou duas fantasias: uma da Branca de Neve e outra da Frozen. Brincamos bastante. Saímos do quarto mais animados para uma próxima visita, pois tínhamos conseguido um primeiro sorriso, uma primeira interação, e a garotinha tinha até trocado umas palavras com a gente.

A montanha-russa começava a subir.

No outro dia de visita, antes de entrar no quarto de Lala, encontramos um médico e conversamos sobre o caso da menina. E o médico quis saber como ela nos recebia, como era a nossa interação. Contamos tudo: que ela observava bastante, que não falava e não interagia muito e que em nosso último encontro tínhamos conseguido uma evolução.

Confiantes pelo nosso último encontro e com a conversa com o médico, lá fomos eu e Nina Rosa.

Entramos no quarto e vimos Lala embaixo do lençol. Tentamos de tudo e nada de a menina sair de lá. Deixamos o quarto sem ao menos um contato visual. Depois conversamos com a equipe de novo e contamos sobre o fracasso, embora soubéssemos que não iríamos desistir.

Na outra semana estávamos lá de novo. Entramos no quarto e aqueles olhos grandes nos acompanharam como no começo, só que agora mais que isso: além de falar, Lala começou a interagir com os palhaços. Criou bobagens, deu risada, parecia outra criança!

A montanha-russa estava nos loopings e a gente levantava a mão e gritava de emoção!

Nina Rosa mostrou o bichinho de estimação que morava em sua cabeça – um ratinho lindo – e Lala pediu pra cuidar dele até a próxima visita. E o ratinho estava sempre ao seu lado em nossos próximos encontros, e acho até que ele deu uma engordadinha de tão bem que foi cuidado!

Nossos encontros com Lala têm altos e baixos, são literalmente uma montanha-russa. E a gente encara mesmo com aquele frio na barriga de não saber o que vai encontrar pela frente. Às vezes tem um pouco mais de emoção, noutras só risada, mas sempre uma surpresa.



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