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Não é sobre ligar a câmera e sair gravando

28 de julho de 2020
Tempo de leitura: 2 minutos

Luciana Viacava

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Sabe aquela onda que surge no contratempo? Aquela que te pega, te enrola, te joga na areia e você já nem sabe quem é quando consegue levantar?

Pois é. Essa onda passou por aqui e nos virou de cabeça para baixo. Agora estamos de pé e já não somos mais quem éramos no início. A essência continua a mesma, mas tivemos que nos reinventar.

Nós, palhaços da Doutores da Alegria, sempre tivemos que lidar com o improviso.

Quando entramos em um quarto para visitar uma criança, não sabemos de antemão o que iremos fazer, a cena surge a partir do que encontramos ali e se desenvolve na relação olho no olho, em cumplicidade com a criança. No exercício do ofício, aprendemos a lidar com o que temos e não com o que poderíamos ter, nem com o que poderíamos ter tido.

Agora, impedidos de ir até os hospitais, nos vimos fechados em casa e encontramos uma janela aberta. Se é isso o que temos, é com isso que iremos trabalhar. A ideia inicial era: “Como entrar no hospital sem entrar no hospital?”. A resposta parecia óbvia: “Através de vídeos, é claro”.

Um outro mundo surgiu. E de óbvio não tem nada.

De um dia para o outro, além de palhaços, nos tornamos “videomakers”, fazedores de vídeo. Mas para fazer um vídeo de palhaço não basta simplesmente ligar a câmera e sair gravando, assim como para ser palhaço não basta colocar o nariz vermelho e sair fazendo graça. É preciso mais, muito mais.

Percebemos que precisávamos aprender a criar roteiro, figurino, cenário, iluminação, sonoplastia, maquiagem, adereços, direção de arte, fotografia, operação de câmera, sonorização, edição, mixagem, direção, atuação e mais um monte de coisas que eu ainda nem sei que existem… Tudo isso sem sair de casa.

Nós nos pusemos a estudar, a investigar essa nova linguagem, ajudando-nos uns aos outros e convidando profissionais para nos orientar. Como adaptar a linguagem do palhaço ao espaço reduzido da tela? A cada nova semana os vídeos foram se aprimorando e temos conseguido produzir quase quarenta vídeos semanais. Esses vídeos estão circulando por aí e, por meio deles, conseguimos nos comunicar com um número enorme de pessoas ao mesmo tempo, em todos os cantos do mundo. Uma experiência nunca antes vivida por nós!

Se eu sinto falta do encontro olho no olho? Claro que sim.

O encontro presencial é algo único e insubstituível. Nada substitui o calor de um abraço bem dado, o ruído de uma respiração, a cumplicidade do olhar, um sorriso no canto da boca, quase imperceptível… E já me vejo falando como os “antigos”: “Bons tempos aqueles em que podíamos nos abraçar, beijar, apertar as mãos, visitar os amigos, passar o domingo na casa da avó…”.

Mas esses tempos vão voltar. E já seremos uma versão melhorada de nós mesmos.



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