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Duas rapidinhas do Hospital do Campo Limpo

23 de Abril de 2019
Tempo de leitura: 2 minutos

Doutores da Alegria

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Dois casos diferentes de crianças ilustram muito bem como é o dia a dia no hospital e as múltiplas situações que encontramos em cada visita. A atriz Luciana Viacava relata os casos no papel da besteirologista Lola Brígida e traz a perspectiva de que, para atuar, o artista precisa estar ausente de si para estar presente no personagem; estar vazio por dentro para ser preenchido pela emoção da plateia – ainda que, no hospital, o público seja uma criança na enfermaria.

Caso 1

No corredor da Pediatria, encontramos dois meninos pequenos acompanhados de suas mães. Aguardavam ser chamados.

Um deles brincava com um carrinho e, em meio a um movimento brusco, na dificuldade de se equilibrar, acabou caindo no chão e ficou com aquela cara de choro-não-choro. Mais do que depressa eu e Dr. Chicô nos jogamos no chão. A gente sabe que chão de hospital é o lugar mais infectado do mundo, mas não podíamos perder o jogo, então arriscamos…

Ficamos os quatro sentados no chão, em roda, um olhando para a cara do outro.

O menino não sabia se chorava ou se ria, até que resolvemos sair juntos daquela situação: nos demos as mãos e fomos levantando devagarzinho, até que todos estivéssemos de pé. O menino, ao perceber que não estivera sozinho, abriu um sorriso para a mãe.

Nós ganhamos o dia! E fomos direto tomar um banho de álcool gel!

Caso 2

No Berçário, conhecemos um bebê recém-nascido chamado RN de Helena*.

Ele passou a se chamar Danilo* desde que sua mãe o deixou no Hospital do Campo Limpo e não mais voltou. Danilo virou o xodozinho de toda a equipe e uma médica veio nos contar que ele iria para um abrigo assim que saísse do hospital. Geralmente quando nos deparamos com uma situação dessas, pensamos que a mãe não tinha amor pelo filho.

– Como pode abandonar uma criança desse jeito?, pensamos.

E uma enfermeira, muito amorosa, respondeu:
– É! Essa mãe ama muito essa criança! Ela sabia que não teria condições de cuidar dele, por isso deixou-o aqui, sabendo que ele receberia os devidos cuidados…

Achei muito bonito o que ela disse. Hoje Danilo não está mais por lá e esperamos que ele encontre um lar, uma família e que receba muito amor e carinho para viver a vida saudável e alegremente.

Luciana Viacava, conhecida como Dra. Lola Brígida, escreve do Hospital do Campo Limpo, em São Paulo.

* nomes fictícios para preservar as identidades da mãe e da criança



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SP - Hospital do Campo Limpo

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álcool gel, ator, recém-nascido, vazio

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