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5 razões para o bobo da corte

1º de abril é um dia a ser celebrado para nós, palhaços. Não, não é porque é o “dia da mentira”… É porque é o Dia do Bobo!

Você sabe quem é o bobo? Não, não é o João Bobo. Talvez você conheça pelo nome mais comum: o bobo da corte.

Em outros anos, falamos sobre a ligação do bobo com o palhaço. As duas figuras dividiram espaço no circo. Nós elencamos cinco razões pelas quais a figura do bobo é importante para nós (e quiçá para toda a humanidade!).

1. O bobo da corte podia falar sobre verdades que as outras pessoas não podiam falar, porém de uma forma sempre metafórica, não deixando de correr risco e ser punido.

2. Tinha liberdade para criticar o clero, os reis e os nobres, os rituais religiosos e os eventos sociais. Por serem feitas de forma cômica, tais críticas passavam como um gracejo e não como algo sério. 

3. O bobo vivia entre reis e rainhas e entre famílias burguesas, e podia se relacionar tanto com a nobreza quanto com os mais “insignificantes” súditos. 


4. Ser bobo era um ofício. E com domínio de várias artes — musicais, cênicas e circenses — sempre pendendo para a comédia. 

5. Sua figura inspirou diversos personagens e a peça “Rei Lear”, uma das obras-primas de Shakespeare.

Você ainda acha que o bobo é mesmo bobo?

Histórias de bobos

Que dia da mentira, que nada! No dia 1 de abril comemoramos o Dia dos Bobos. Ano passado falamos sobre a data aqui no Blog e sobre a origem dos bobos, que se cruza com a origem do palhaço – arquétipo que facilita o nosso trabalho nos hospitais.

Para ilustrar a teoria, indicamos a peça O Bobo do Rei, dirigida por Angelo Brandini, que é palhaço dos Doutores da Alegria, e compilamos duas boas histórias de bobos da corte. Veja:

O Bobo do Rei é uma livre adaptação de “Rei Lear” de William Shakespeare (1554-1616), escrita em 1605. É uma das principais tragédias do dramaturgo Inglês. No original, Lear é o velho Rei que para aproveitar ainda mais a vida, decide dividir o reino entre as três filhas. Convencido de que elas o amam, resolve que a partilha será feita de acordo com as declarações de amor que elas lhe prestarem. Informações sobre apresentações aqui.

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“O bobo da corte era uma figura real comum na época de Shakespeare. Certo dia, mais entediado e neurastênico do que nunca, o rei mandou chamar o palhaço para distrai-lo com suas lorotas. O pobre palhaço com o repertorio esgotado, acabou repetindo alguma história, embora contada com bastante calor. Mas o rei, que estava mesmo sem paciência naquele dia, lhe disse:

Tome esta bengala. Ande com ela para cima e para baixo. Quando encontrar um mais bobo que você, passe a bengala para ele.
O palhaço saiu levando a bengala. Passado pouco tempo o rei adoeceu gravemente. Lá estava o palhaço fiel, com sua bengala, solícito e pronto para ajudar seu soberano e prepará-lo para a morte:
Majestade, o senhor já pensou o que o espera na outra vida?

Não! – respondeu debilmente o rei.
Preparou-se para o encontro com Deus, nosso juiz e pai?
Não!
Vossa Majestade nunca pensou no que o espera depois da morte? Então tome esta bengala, pois achei alguém mais bobo do que eu.”
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“O bobo conseguiu trabalho de barqueiro. Certo dia, transportando um gramático, este homem lhe pergunta:

O senhor conhece Gramática?

Não, em absoluto nada!, respondeu com firmeza o bobo.

Bem, permita-me dizer que você perdeu metade da sua vida!, replicou com desdém o erudito.

Pouco depois, o vento começou a soprar e a barca ficou a ponto de ser tragada pelas ondas. Justo antes de ir a pique, o bobo perguntou ao passageiro:

Sabe nadar?

Não!, contestou, aterrorizado o gramático.

Bom, permita-me dizer-lhe que você perdeu toda a sua vida!

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O dia dos bobos

O dia primeiro de abril é famoso por ser considerado o dia da mentira. Mas você sabia que também é o dia dos bobos?

O Bobo da corte e o Palhaço do circo são dois arquétipos que chegam a se fundir ou se confundir, mas são diferentes: o palhaço é um ser desprovido de julgamento e discernimento, enquanto o Bobo se utiliza dessas condições para exercer melhor seu trabalho de se passar por bobo para ter a liberdade de tocar em assuntos espinhosos. E já que hoje é o dia dos bobos, vamos falar deles:

Os Bobos – ou Bufões – eram pessoas que nasciam com deformidades físicas e/ou mentais, que eram vestidas de maneira grotesca e expostas ao escárnio de todos. Em sua maioria, eram anões ou corcundas. Essa deformidade os colocava em posição de inferioridade, o que facilitava a aceitação de seu comportamento ousado. Afinal, o que vem de um ser tão “desprezível” não deve ser levado a sério…

Eles tinham uma função muito bem definida que (ao que se tem registro) começou lá no Egito antigo: eram encarregados de entreter o rei e rainha e fazê-los rirem. Ter um bobo da corte garantia diversão aos convidados da corte, que estavam presentes em casamentos, festas, batizados e festas para os deuses.

Os Bobos diziam ao rei o que o povo gostaria de dizer e eram as únicas pessoas que podiam criticar a monarquia. Os mais hábeis eram considerados verdadeiros sábios pois conseguiam manter o sutil equilíbrio da diversão sem se comprometer muito.

Passaram pelas cortes e chegaram ao circo, onde passaram por um processo de refinamento e dividiram o espaço com o palhaço de circo. Mas o palhaço de circo é uma longa história para outra data…

Feliz primeiro de abril!

Referências:
NOGUEIRA, Wellington – Doutores da Alegria o Lado Invisível da Vida
DE CASTRO, Alice Viveiros – O Elogio da Bobagem